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Transformações pela Música

" A música é a voz harmoniosa da
criação; um eco do mundo invisível;
uma nota de divina concordância;
que o universo inteiro, um dia, está
destinado a soar".
Mazzini

Gramofone
A música pode despertar nos seres diferentes reações sejam elas de natureza negativa ou positiva desde que pela ressonância o seu efeito se faz sentir em tudo o que estiver em seu alcance e isto pode ocorrer em qualquer um dos seus três aspectos transcendentais. Em seu aspecto Brahmâ ela exerce uma ação construtiva, positiva; em Vichnu um ação conservadora; e em seu aspecto Shiva, destruidor, negativo, degradante.

Desses aspectos pode-se entender que a música na verdade está ligada intimamente às transformações da sociedade humana, num ou noutro sentido, mas vale questionar se ela é causa ou o efeito das transformações, da queda, ou da ascensão de um povo. Pode-se indagar se a sociedade degrada a música ou se a música degrada a sociedade. Vejamos o que nos diz a Ordem Pitagórica: "A música libera, no mundo material uma energia fundamental, superfisica, que vem de fora do mudo da experiência cotidiana".


Embora as duas possibilidades caminhem juntas há fortes indícios, pelo que revela a história, a degradação primeiro se faz sentir na música. Pela história podemos evidenciar que os dois tipos básicos de música, o das trevas, e o da luz, mas que somente uma costuma prevalecer num determinado período de uma civilização. Quando predomina a música sublime e bela a civilização floresce tanto quanto o verdadeiro progresso espiritual do povo. Toda vez que a música principal de uma civilização é de natureza mais grosseira e depravada, a própria civilização principia a entrar em declínio, acabando por deixar de existir como civilização. A própria história revela que o declínio da civilização clássica da China e da Índia coincidiu com um declínio da qualidade musical, e o mesmo pode-se dizer de outros povos.

O que ocorreu na Grécia antiga é um exemplo bem claro da relação entre a música e a decadência cultural de um povo. A música grega entrou em declínio durante a era de Péricles, por volta de 444 - 429, época em que a civilização grega o seu mais elevado nível. A historia da música revela que no final desse período começaram a ocorrer alterações na música e isto foi o primeiro indicador do caminho da decadência. Ainda no período áureo da cultura na Grécia começaram a surgir as chamadas inovações baratas, modulações excessivas e estilos estranhos. Houve certa reação às inovações por parte de muitos pensadores, teatrólogos, entres estes Aristófanes que em suas peças satirizava a música surgente de natureza fútil e banal, mas os apelos contra as transformações chegaram demasiado tarde, a nova música já se instalara suplantando os estilos mais refinados e disciplinados. Na medida em que a musica deteriorava-se se deu o início do ocaso da daquela civilização[1].

A China antiga havia um nível de equilíbrio humano relativamente bom, mas depois quando o controle sobre a música foi atenuado começaram a ocorrer as transformações sociais chegando a um nível em que as aldeias passaram a viver um período de baixíssimo desenvolvimento social, chegando em muitos casos próximos à barbaria. Os chineses haviam esquecido que a música era uma força tão importante na alterarão dos fenômenos sobre a terra que seria imprudente, perigoso e talvez até temerário, no correr do tempo, permitir aos músicos que escutassem o que bem entendessem. A música deixara de ser regulada e consequentemente os valores espirituais do povo começaram a declinar.

É digno de nota que também, a música destrutiva, quando parece numa civilização costuma faze-lo de repente, irrompendo qual uma autêntica vaga que obedece a uma estratégia deliberada. Assim é que acontece, em poucas décadas atinge uma posição de poder e de ampla popularidade no seio das massas; logo se avulta sua influência sobre a sociedade em geral, produzindo, não raro, uma mudança rápida e negativa na filosofia, na política, na moral, nos valores pessoais e, conseqüentemente, nos estilos de vida.

O Século XX vem vivenciando uma imensa explosão de sons, uma imensa disponibilidade das mais diversas variedades de ritmos tonais. Hoje em dia a pessoa tem à sua disposição um número imenso de estilos musicais como jamais ocorreu em qualquer outra época deste ciclo de civilização[2]. Atualmente encontram-se disponíveis gravações e execuções ao vivo uma extensíssima gama de opções que a pessoa pode escutar mesmo não querendo. Os meios de difusão são tais que pessoa é forçada a ter que escutar aquilo que não quer.

No que diz respeito à música o século XX notabiliza-se pela espantosa variedade de sons disponíveis, pela facilidade com que podem ser adquiridos, e pelo preço monetariamente insignificante, mas o que não se tem dado o devido valor é no que tange ao preço social e espiritual que isto tem custado e que ainda virá a pesar sobre a humanidade deste período de transição.

Podemos dizer que existe hoje uma hiper-inflação de músicas por onde quer que se esteja, mesmo dormindo a pessoa está sendo estimulada por músicas de radio, de televisão, ou tocadas em sistemas de sons de bares, carros e assim por diante. Nunca antes a música foi tão facilmente acessível, tão diversificada e continuamente despejada em quase todos os lugares sem que a maioria das pessoas tenham conhecimento real, pratico, da sua natureza potencial e consequentemente dos efeitos que podem ser causados.

É possível que a maior fraqueza da visão materialista moderna do mundo seja a sua incapacidade de perceber as causas dos efeitos. Nesse sentido os filósofos da antiga China, Índia e Egito merecem o nosso mais profundo respeito visto que eles tiveram empenho em ver a causa e o âmago das coisas e, decerto, tinham conhecimento de que a música pode destruir a civilização.

Diante da degradação moral que predomina no mundo atual a Grande Fraternidade Branca, através das organizações que a representam vêm desenvolvendo uma contra-reação re-introduzindo os conhecimentos esotéricos a respeito da música, em especial os conhecimentos pitagóricos. Algumas organizações estão tentando inspirar estilos de música positiva. Baseado nisto escreveu David Tame[3]: " Para que esse retorno aos princípios antigos seja realmente poderoso e eficaz em sua ação, é provável, que venhamos a presenciar não só um ressurgimento da sabedoria antiga, mas também de algo inteiramente novo e revolucionário... Essa revolução na ciência do som está sendo propiciado pela Grande Fraternidade Branca através de algumas Ordens que são os ramos de sua atividade exterior...."

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Autor: José Laércio do Egito - F.R.C.
email: thot@hotlink.com.br

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Notas:

[1] - Queremos salientar que não estamos medindo o grau de civilização pelo desenvolvimento técnico como acontece na atualidade, mas sim pelos valores éticos, morais, filosóficos, culturais e religiosos.

[2] - No Ciclo de Civilização da Atlântida também houve esse tipo de fenômenos e que sem dúvida foi uma das causas que contribuiu para a derrocada final.

[3] - The Secret Power of Music - 1994

A Música Intencional

" Deus precisa do homem e o homem
precisa de Deus. Essa é a lei do círculo
abençoado do AUM ".
El Morya - Grande mestre da G.F.B.

As pesquisas atuais da ação da música sobre as plantas corroboram com os sábios ensinamentos dos antigos acerca do poder objetivo da música, e desaprova o ponto de vista contemporâneo, de natureza hedonístico e anárquico sobre a arte musical. Em suma, oferece uma base cientifica a partir da qual se pode defender a necessidade de uma ética músical. Os músicos modernos já não podem proclamar que a música é uma questão de "gosto", ou que ao músico deve ser concedido o direito de tocar o que bem entender.


Diz David Tame sobre o que constitui a música boa ou má. Ele diz que isto pode ser respondido com dez palavras apenas: "A música má dá morte, a boa música dá vida".

Sabendo-se que existe ação marcante da música sobre os seres biológicos em geral e sobre o ser humano em particular podemos indagar se isto foi usado com intencionalidades nas transformações da humanidade. Se as transformações motivadas pela música através do tempo foram decorrências aleatórias ou direcionadas; se algum tipo de interesse fez uso premeditado da música a fim de conseguir determinados fins. Na verdade podemos dizer que as duas condições sempre estiveram presentes caminhando juntas através do tempo.

Acreditavam os antigos que o uso do som era a mais poderosa de todas as chaves para abrir as portas dos estados mais elevados de consciência, bem como para efetuar mudanças práticas no mundo em geral. Atualmente, mesmo os aspirantes de conhecimentos transcendentais têm deixado a música um tanto de lado concentrando-se quase que exclusivamente no uso de técnicas silenciosas de meditação. A maior parte deles sabem apenas orar, cantar hinos, ou pronunciar umas poucas linhas impressas num livro. Não negamos que tudo isto tem valor, mas a música é bem mais eficiente e de prática mais fácil. Por esta razão é que a Ordem Pitagórica dá tanta ênfase à músicapor tratar-se de um meio mais adaptável à mente ocidental deixando de lado as pràticas de meditação orientais. A Ordem Pitagórica dedica maior atenção, aos números, à geometria, e à música. Estuda a música em todos os seus aspectos e um Iniciado maior sabe precisamente como usa-la música segundo cada necessidade.

Agora vale a seguinte indagação: É o ser humano que cria a música segundo a sua natureza, ou é a música criada que induz a natureza do homem? - Podemos dizer que as duas condições coexistem. O ser envolvido na negatividade compõe músicas e ritos negativos e vice-versa. Isto é uma condição inerente à afinidade indivíduo-música.

A música marca as mudanças do padrão da civilização, mas, por outro lado a civilização a escolhe de conformidade com o seu grau de desenvolvimento espiritual. Neste caso estamos rodando em círculo desde que uma coisa gera a outra. Então onde o agente motivador se faz sentir? - Na realidade há muitos interesses em interferir no curso do desenvolvimento espiritual através da música. A força negativa em atendimento aos seus propósitos não deixaria de fazer uso desse poderosíssimo meio de interferência, e é por isto que existe uma imensa quantidade de pessoas que fazem uso da música seja compondo-as, seja tocando-as, com a finalidade de interferir no desenvolvimento espiritual.

Aristóteles e Platão acreditavam que a música, assim como o grau de espiritualidade e outros traços do caráter do homem estão indissoluvelmente interligados e que por isto os estilos de música refletiam o nível de espiritualidade do homem. Diziam: "Só parecem separados à nossa limitada percepção pois em essência, estão unidos inseparavelmente, e nos reinos mais elevados do ser se reconhece que a compreensão musical e o entendimento espiritual são idênticos".[1]

A natureza negativa inspira os músicos a comporem melodias negativas, mas, da mesma maneira, o lado positivo da natureza age em sentido inverso. O compositor muitas vezes é aquilo que se pode chamar de "inocente útil", um ludibriado incapaz de perceber os meandros da serpente do mal e por isto acaba sendo o instrumento daquela força, fazendo pra ela aquilo que é impossível fazer diretamente. Em casos assim podemos dizer que não existe premeditação, intencionalidade direta do compositor, contudo existem muitos que fazem músicas negativas sabendo o que estão fazendo. Atualmente existem muitos compositores, assim como muitos escritores, que mantêm pactos satânicos conscientemente[2] com aquilo que estão envolvidos.


Mesmo um compositor que compõe musicas negativas sem perceberem o que estão fazendo ainda assim evidentemente trata-se de alguém envolvida com negatividade, pois não é muito fácil uma pessoa de vida espiritual elevada compor algo negativo desde que por certo ela não sente-se atraída por aqueles gêneros musicais. Os que compõem sem perceber claramente que estão trabalhando com a negatividade mesmo de alguma forma estão envolvidos com forças satânicas sob algum dos seus aspectos, em especial com drogas de indução negativa.

A natureza negativa no transcorrer dos séculos fez uso da música como incentivo a seus nefandos propósitos. As pessoas tendem a se mostrarem abertas aos sons e como conseqüências tornam-se sujeitas a influências psicológicas por eles exercidas, efeitos emocionais e mentais dos mais diversos tipos.

Desde os tempos mais remotos, pescadores, ceifeiros e outros trabalhadores costumam cantar em uníssono a fim de inspirarem-se e obterem maior rendimento no trabalho que estão desenvolvendo. Ainda hoje esse costume é comum em muitos lugares e mesmo em fábricas usam-se músicas através de receptores de rádio ou outros tipos de aparelhos de som visando o aumento de rendimento no trabalho.

Este período que a humanidade está atravessando tem se mostrado deveras complexo, um meio extremamente hostil ao desenvolvimento espiritual. Atravessa-lo incólume pode ser considerar um trabalho hercúleo, pois os incontáveis meios de difusão da cultura em geral estão eivados de atividades do aspecto negativo da natureza, e entre esses grande parte da música contemporânea.

Um aspecto da anarquia total da música contemporânea é o número crescente de músicos ávidos por demonstrarem que não há, e nem deve haver limites para a variedade de meios de produção de sons. Em outras palavras, indagam porque um músico deve ater-se ao velho violino, ao piano, ao trompete, etc. para produzir sons? Porque evitar a produzir novos sons? Em consonância com esse conceito tem acontecido que a produção de novos sons tem sido gigantesca, mas acontece é que os que assim pensam e os que ouvem tais sons ignoram totalmente o que eles podem determinar tanto na estrutura física quando no intelectos e consequentemente sobre a sociedade hodierna. Uma coisa podemos afirmar, a maior parte daqueles sons têm conotação negativa.

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Autor: José Laércio do Egito - F.R.C.
email: thot@hotlink.com.br

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Notas:

[1] - Heline, Corinne, Música; The Keynote of Human Evolution, New Age Press, Santa Mônica.

[2] - Na realidade a palavra consciente não está sendo usada apropriadamente, pois uma pessoa conscientemente não pode se prestar a determinadas práticas. Usamos a palavra por não termos encontrada uma outra que expresse o que estamos querendo dizer.

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