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TENDÊNCIAS DO MARKETING DIGITAL

Dada a relevância que a internet passou a ter na vida das pessoas e das empresas, sendo que mais de 20% da população mundial está online, via computador ou celular, e somente por este último meio foram realizadas mais de três bilhões de vendas no mundo, tornou-se fundamental para as empresas que buscam obter sucesso em suas respectivas áreas acompanhar os passos online dos seus clientes e conhecer seus hábitos de compra.

Uma das principais mudanças já observadas diz respeito àquilo que se habituou chamar de “inversão” do vetor de marketing, principalmente devido aos buscadores na web, pois hoje, quase todas as compras são, de alguma forma, influenciadas pela internet, seja para pesquisas de preços, para conhecer o produto ou saber a opinião dos outros antes da compra, seja para realizar a compra propriamente dita, online ou no varejo tradicional, mas a pesquisa estará nas mãos do consumidor. Essa é, portanto, uma das primeiras tendências a se destacar: se sua empresa não for encontrada, ela não existe! Com isso muitas redes têm investido no modelo multicanal para atender diferentes públicos. Essas soluções são apropriadas para reduzir o temor que alguns consumidores podem apresentar com as compras na rede.

Outra tendência, voltando à questão do conhecimento do internauta, é a utilização de ferramentas que possibilitam diversos tipos de pesquisas, desde as básicas, como saber as páginas visitadas e o tempo gasto pelo seu cliente no portal da empresa – o que poderá lhe trazer informações que indicam se o processo de informações e vendas está realmente adequado ou se é necessário realizar um estudo de usabilidade para torná-lo mais intuitivo, por exemplo.

Outra tendência, alinhada a esta, mas com um funcionamento diferente é a concessão ou venda, a preços módicos, de novos aplicativos para celulares, baseados no uso de GPS, com os quais o usuário pode personalizar seu aparelho, mas em troca a essa “aparente” gratuidade ele estará fornecendo aquilo que há de mais valioso no mundo digital: “informação”. Com isso ele passa a fornecer dados sobre seus horários, trajeto, local de trabalho e casa, enfim, informações que podem ser utilizadas para posteriormente lhe oferecerem desde empreendimentos imobiliários na região até bares e restaurantes badalados no momento.

Além desses dados coletados via GPS há também o acompanhamento que empresas como o Google já fazem há algum tempo, analisando a forma como são usados seus diversos produtos, como email, buscador, etc, também para oferecer algo que é condizente com o que “coincidentemente” se está buscando naquele momento.

O que o fundador Greg Skibiski da empresa Sense, de pesquisas nessa área, cita é que “não se precisa saber o que as pessoas pensam. Só o que elas fazem.”

O que isso tudo quer dizer? Em primeiro lugar “informação é fundamental” e em segundo é que esse maior conhecimento de hábitos possibilita às empresas levarem uma oferta mais personalizada e adequada às necessidades dos seus clientes, gerando menor dispersão e maiores chances de atingirem seus objetivos.

Para alguns consumidores isso pode parecer simpático, sendo que para outros, será considerado invasivo, pois ainda estão sendo definidas novas regras de ética e privacidade.

Mas esse é, sem dúvida, o mundo desejado para o marketing.

ARTIGO PUBLICADO NA REV. MARKETING JUN 09

Por Sandra Turchi

Ter um site bonitinho já não resolve mais

Com o crescimento consistente da web, tanto em número de usuários como no tempo médio online da população brasileira, de 48 horas/mês, como na presença empolgante nas mais diversas redes sociais, tem ficado evidente para muitas empresas a necessidade de estar presente no universo digital, seja através da reformulação dos seus velhos sites, ou mesmo da iniciação de um projeto novo de vendas pela web.

(artigo para o Portal PEGN – Globo)

Temos assistido ao sucesso perpetrado por algumas empresas na internet, como a Tecnisa, que já virou sinônimo de boas práticas, que até já vendeu pelo Twitter e pelo Iphone, que está presente no Formspring e no Tablet, além de ter uma operação muito bem estruturada de atendimento, seja online ou offline, àqueles que fazem contato.

Por outro lado, ainda podemos observar empresas que consideram que seu site, reformulado há alguns anos, ainda está bem “bonito”, portanto, concluem não ser necessário atualizá-lo. Para essas eu gostaria de dar uma triste notícia, ter um site bonitinho já não resolve mais. Se ele foi feito ou refeito sem os pré-requisitos básicos para que seja “encontrável” (desculpem o neologismo) ou mesmo para que seja mais interativo com seus clientes ou interligado às redes sociais, eu lamento muito, mas hoje ele não é de grande valia aos seus negócios!

Ao concluir isso muitas empresas renomadas estão passando a dar maior atenção ao que tem ocorrido à sua volta, como o Fran’s Café, que reformulou seu site para aprimorar o atendimento aos seus clientes. Ou então a rede de móveis Etna, que lançou sua megastore virtual com mais de quatro mil produtos.

Além de bons exemplos no mundo do turismo como a Decolar.com, que oferece planos de milhagem e fornece descontos especiais em newsletters segmentadas. Ou o lançamento de 1400 títulos em português de livros digitais pela Saraiva.com para o iPad, com preços até 30% menores que as versões físicas, assim como sua concorrente, a Livraria Cultura, que também tem uma loja virtual com 150 mil títulos disponíveis para download. Ainda temos a Sony Music que reinventou seu modelo de negócios apostando na venda de músicas para celulares e internet.
Há também as redes sociais que proliferam com boas opções, como a +QueReceitas, site de relacionamento voltado aos profissionais e amantes da culinária, focado em aprendizado gastronômico. Ou então o Vaga-lume, de música e entretenimento, a rede Drimio, voltada para integrar pessoas às marcas, existente há um ano e que já tem quase 70 mil usuários. Ou a ByMK, voltada para o mundo da moda, que já conta com 80 mil internautas cadastrados e já foi utilizada por agências de publicidade e a rede voltada para quem é apaixonado por cinema, a MovieMobz, que tem mais de 25 mil usuários.

Apesar disso, muitas empresas ainda estão “patinando” com relação ao que fazer no mundo da web e nas mídias sociais, utilizando-a para divulgação pura e simples, perdendo a oportunidade de se relacionar e aprender mais sobre os seus consumidores.

Internet para gerar negócios

Tenho tratado muito sobre o crescimento nos investimentos em mídia online por empresas de diversos portes, sobre a ampliação do uso de estratégias de marketing digital, sobre o uso cada vez maior das redes de relacionamento para se comunicar e persuadir seus consumidores e sobre como essas inovações tem mudado o jeito de se fazer marketing.

Porém, quando falamos de mundo digital ou de estratégias de Marketing Digital, até parece que a totalidade das empresas já está online, ou mesmo que já estão super habituadas a utilizar todas as ferramentas existentes, bem como familiarizadas com todos os termos inerentes a essas atividades, porém devemos nos lembrar que, embora 97% das empresas no Brasil usem Internet, apenas 53% possuem um website, de acordo com dados do Comitê Gestor da Internet no Brasil, referentes a 2008.

Desse total de companhias que possuem um website, apenas 24% tem um sistema de pedidos de compras, pois praticamente a metade delas somente utiliza esse canal como catálogo de produtos e lista de preços, ou seja, a grande maioria ainda não está fazendo efetivamente negócios online.

Isso nos leva a concluir que não bastam projetos de “inclusão digital” de empresas, é necessário também levar a elas conhecimento e condições para efetivamente produzir riqueza utilizando a Internet como plataforma para geração de novas receitas e novos clientes, além, obviamente, do atendimento mais qualificado aos atuais clientes da empresa.

Outro fator importante a ser salientado é a enorme oportunidade que surge para um grupo de pequenas e médias empresas, fornecedoras de serviços de TI, porque praticamente em metade das companhias pesquisadas, as funções de TI são executadas por fornecedores externos. Isso é uma tendência, pois podemos observar que vem crescendo esse número ao longo dos últimos anos – em 2006 representava 39% e em 2008, 47% do total. Cresce também o número de empresas que realizam treinamento para usuários de computador e internet, pois em 2006 eram 26% e em 2008 esse número saltou para 34%, e continua crescendo.

Como exemplo de atividades que vem sendo implantadas para a geração de negócios online é possível citar o caso de montadoras de veículos, como GM e Fiat, e no setor de construção civil, com seus lançamentos imobiliários, empresas renomadas como a Tecnisa e a Cyrela, além do mercado financeiro com instituições que tem feito grande uso das ferramentas de Marketing Digital.

Os investimentos dessas grandes empresas no mundo digital estão em torno de 10% de suas verbas publicitárias, o que representa uma grande quebra de paradigma, pois há bem pouco tempo não passava de algo em torno de 3%. Mas isso só tem ocorrido porque essas companhias constataram a eficácia desse meio para trazer novos consumidores e bons resultados financeiros e de comunicação com seu público.

No caso das micro e pequenas empresas podemos observar casos desde uma eletrônica num bairro da zona norte de São Paulo até comunidades do Amapá que comercializam seu artesanato e entregam em todo o país e fora dele.

Com isso percebe-se uma grande movimentação por parte das MPE’s no sentido de conhecer mais sobre esse mundo novo do Marketing Digital para não deixar escapar excelentes oportunidades de crescimento.

Artigo exclusivopara revista BtoB – Grupo Padrão

Qual o impacto da internet nas próximas eleições?

Com as recentes mudanças nas leis eleitorais que liberaram o uso de internet e redes sociais nas campanhas, já é possível acompanhar mudanças no cenário político, mesmo não sendo possível fazer propaganda paga na web. Encerramos 2009 com aproximadamente 70 milhões de pessoas tendo acesso à web, em suas residências, em Lan Houses, Cyber Cafés, escolas, trabalho, entre outros locais, embora apenas 38% deles acessem diariamente. Espera-se que esse número em 2010 atinja 100 milhões, sendo que o Brasil tem 133 milhões de eleitores. Além disso, o país já conta com mais de 175 milhões de celulares.

(artigo para a Revista Carreiras&Negócios)

Os três principais candidatos à presidência já estão utilizando algumas plataformas, como Twitter e Youtube, por exemplo. José Serra tem mais de 170 mil seguidores no microblog e posta seus comentários pessoalmente. Dos três, Dilma foi a última candidata a aderir e ainda “está aprendendo”. Marina tende a ter bom destaque, pois segundo analistas, traz temas inovadores ao debate, o que cai muito bem na rede.

O custo estimado das campanhas total em 2010 é de R$ 2 bilhões, o maior de todos os tempos, a de Obama foi US$ 740 milhões e Lula declarou R$ 168 milhões em 2006, oficialmente. Obama conseguiu arrecadar US$ 500 milhões de três milhões de eleitores. Diferentemente do Brasil, onde são poucos e grandes doadores para as candidaturas e onde reina o caixa dois. Esse financiamento de campanhas feito pelo público é muito positivo, pois cria uma atitude de maior compromisso por parte do político, ou seja, gera maior comprometimento com suas propostas. Entretanto, no Brasil, o item contribuições tende a não ter grande impacto, pois além da falta de tradição dos cidadãos de financiarem campanhas políticas, os políticos gozam de menor reputação, historicamente falando. A candidata Marina, por exemplo, já divulgou o valor arrecadado (R$ 2,5 mil) até o momento, o que é muito baixo.

Como exemplo brasileiro, Gabeira em 2008 já arregimentou 10 mil voluntários pelas redes sociais. Segundo ele, “quando funcionar efetivamente no Brasil a arrecadação online será a prova de que a legítima persuasão do eleitor pode enfrentar o poder econômico e fazer frente ao caixa dois”, como ocorreu nos EUA, onde também havia grandes doações de grupos de interesse, antes da última campanha.

Obama conseguiu 2 milhões de simpatizantes no Facebook, 1 milhão no MySpace e mais de 100 mil no Twitter. Foram criados também blogs para combater falsos rumores e ataques ao candidato. Outro ponto interessante da sua campanha, além da grande integração entre as ações on-line e off-line, foi sua estratégia de relacionamento através da criação de sites voltados aos mais variados públicos, como negros, evangélicos, latinos, etc, para debater temas relevantes a cada um deles.

No Brasil temos um exemplo da criação de um blog para desmentir comentários do outro candidato, o site criado pelo PSDB chamado “Gente que mente”. De qualquer forma temos que lembrar que o brasileiro, em geral, não se interessa por política e não passará a fazê-lo por causa da internet, até porque temos um perfil de navegação diferente dos americanos, sendo aqui mais voltado ao lazer e lá pela busca de informação.

A internet é um território mais livre e menos controlável do que outras mídias, o que poderá gerar um grande número de ataques e ofensas mútuos. Por outro lado será a primeira vez que a discussão poderá ser ampliada com maior participação do público, por meio das redes sociais, que contribuirão para acelerar a difusão de informações. Para o mundo político, assim como para as empresas, as mídias digitais trazem um fator muito interessante que é a possibilidade de obter uma boa exposição com menores investimentos e mais criatividade, se compararmos aos custos da mídia tradicional.

Outro ponto pra lá de importante será o uso inteligente das bases de dados, com o mapeamento de simpatizantes de ambos os lados, para serem trabalhados em ações diretas.

Mas e depois das eleições, tudo isso acaba? O ideal é que não seja assim e que o futuro governante continue aproveitando o exemplo americano ao utilizar o meio digital para levar mais transparência à gestão.

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